Quadrado 1
Sinto e lembro Perdido e solto Neste dezembro Sexta-feira do ano Que a sede não é mais de mudança Que ainda treme a espinha E iça vela branca num mar de expectativa Ainda peixe solto Sinto, novamente, necessidade de cuspir letras. Sinto, outra vez, a falta de espaço presente. E, ao mesmo tempo, receio que seja excesso. De clareza e lacuna. Estou sobre um quadro branco, como uma paisagem de neve. Um horizonte com oito árvores sem folhas em minha frente. Hoje faz frio aqui dentro E um som de harpa e xilofone engole o ambiente. Sinto um falta de ar prazerosa E rápida é a melancolia. A melancolia - sem qualquer orgulho - sempre fez escrever mais fácil. Estou mais velho. Estou mais forte. E, mais do que nunca, vulnerável. De vez em quando volto para o quadrado um. Tenho quatro direções, também o lado de cima e o de baixo. O caminho da frente parece o mais sensato. Toda vez que olhar para trás, vou ter sido autocrítico demais? A chama da vela queima prodigiosamente. Impetuosamente. Como a violência dos sentimentos. Tenho um desafio. Tenho menos cobrança. Não sei se menos peso. E pela primeira vez certeza. Sinto que ainda não sou completo, mas que uma metade é bastante forte.





















































































